domingo, 22 de julho de 2012

Querido Playstation 2

Estreio esse blog com algumas lembranças da agora ultrapassada sexta geração de consoles. Fui um dos primeiros a ter o tão cobiçado Playstation 2, joguei jogos que vinham dentro de uma caixa de CD e guardo até hoje títulos pitorescos, como Crazy Taxi, Harvest Moon: Save the Homeland, Grand Theft Auto III, Finding Nemo, Batman Vegeance, Campeonato Brasil 2003 (sinceramente eu nem sei em cima de qual WE fizeram isso), Tony Hawk's 4, Knockout Kings 2002, Superman Shadow of Apokolips, Men in Black II e Pro Evolution Soccer 2. Jogos que hoje são completamente ultrapassados graficamente em comparação aos próprios jogos do mesmo console que vieram anos depois, mas que oferecem um grande potencial de diversão.
Sair voando pelos morros de São Francisco: atividade frequente em Crazy Taxi.
Sim, os passageiros adoravam.
 Não sei se era uma conceito geral desse início do console, mas todos os jogos que tive no início do PS2 eram simples e intuitivos, como os arcades de fliperama. A exceção a essa regra ficava com um jogo de estratégia chamado Pacific Theater of Operations IV, cujo tema era a Guerra do Pacifico que ocorreu na Segunda Guerra Mundial. O jogo era tão complexo que até hoje eu não sei jogar. Creio que se eu soubesse um pouquinho mais de inglês na época, teria mais sucesso.
PTO IV: Adorava pegar submarinos e sair fazendo estrago, apesar
de quase sempre não fazer a miníma ideia do que estava fazendo.
Eu nunca fui bom em jogos de luta, mas um deles conseguia me seduzir ao ponto de ficar horas e horas na frente da tela, zerando o jogo com todos os personagens: Tom & Jerry: War of the Whiskers. Isso mesmo, Tom & Jerry! Esse jogo é a prova que não é necessário um jogo ter litros e litros de sangue para ser divertido. A ideia era bem simples: inicialmente você só podia jogar com o Tom e o Jerry, tendo que completar o modo desafio com um deles para liberar outro personagem e depois fazer outro modo desafio para liberar outro, até que todos os personagens, fases e roupas especiais fossem liberados. Esse modo nada mais era do que lutas de dois rounds (ou três, dependendo dos resultados) contra diversos personagens do mundo de Tom & Jerry. Algo mais ou menos parecido com a torre de desafios do clássico Mortal Kombat. Abaixo, o trailer do jogo:

A variedade de cenários e personagens era admirável, começando na cozinha da casa do Tom e passando pelo Velho Oeste, ferro-velho, México, praia, castelo medieval, casa mal-assombrada, navio, neve e laboratório, entre outros, sendo que todos eram interativos, com várias coisas para ajudar e também atrapalhar os lutadores. No fim do jogo, o chefão podia ser um Jerry geneticamente modificado ou um gato robótico que voa e solta fogo, dependendo do personagem. Todos inspirados em episódios dos desenhos animados.

Outro jogo marcante para mim foi o aclamado Grand Theft Auto III, jogo que foi responsável por um dos maiores "baques" que eu levei na minha vida de jogador. Pra quem jogava o GTA 2 do "Play1" na casa do tio, pegar um GTA totalmente 3D foi uma das sensações mais incríveis da minha linda infância. Controlar o mudinho Claude rumo a vingança contra Catalina, é com certeza a experiência mais interessante que alguém poderia ter num console de videogame, pelo menos até 2002. A liberdade que o jogo proporcionava jamais tinha sido vista antes em nenhum outro jogo. Obrigado DMA Design (ou Rockstar North, se preferir)!
A história de GTA III ocorria no tempo presente (2001) e todos os jogos da era PS2 que se seguiram, eram de anos anteriores a ele, com personagens principais diferentes, mas no mesmo universo. Se você realmente se interessar pela história enquanto joga todos os títulos com certeza, assim como eu, se apaixonará pelo mundinho fictício onde Nova York é Liberty City, Miami é Vice City e Califórnia/Nevada é San Andreas.
Lembro como se fosse ontem da primeira vez que rodei o jogo lá em 2002 e dei de cara com essa intro estupenda:

E como se não bastasse o GTA 3 ser incrível, alguns meses depois adquiri o então mais novo lançamento da já renomeada Rockstar North: Grand Theft Auto: Vice City. Só pela história que funde Miami Vice com Scarface, resultando na luta de Tommy Vercetti para reconstruir sua vida após quinze anos de prisão em nome de um chefão sem escrúpulos, GTA Vice City já se mostra incrível, mas a atração principal na minha opinião é a trilha sonora. O jogo apresentava 7 opções de rádios de música fictícias, cada uma com um tema variado. Como a história é ambientada em 1986, todas as músicas são da época, que particularmente é a minha preferida musicalmente falando. Arrisco dizer que GTA Vice City foi responsável por muito da formação do meu gosto musical atual, que vai de heavy metal a new wave. Clique aqui para ver o artigo na wikipedia sobre a trilha sonora do jogo. 
Foi jogando GTA Vice City que eu descobri doideiras musicais dos anos 1980 como Corey Hart, por exemplo:


Tommy Vercetti: Provavelmente o mais sanguinário de todos os GTAs,
o cara é linha dura mesmo! Apesar disso, ele mora no litoral e não sabe nadar. 
Deixando o GTA um pouco de lado, não posso esquecer de citar o estupendo jogo de futebol Pro Evolution Soccer 2, vindo de uma época que a Konami era perfeita em tudo que fazia e a Electronic Arts comia poeira todos os anos. Nunca um jogo de futebol me proporcionou tanta emoção quanto esse, ele conquistava a todos aqui em casa, com muitas Copas do Mundo de vários players realizadas.
O problema com licenças que sempre assombrou a Konami era um dos charmes do jogo. O Brasil normalmente entrava em campo com: Merquez; Raime Junior, Smildone e Luciano; Facu, Roberto Larcos (o jogador mais rápido e completo já visto em um PES), Esermon, Vilsa e Naldorinho; Ravoldi e Radolno. Junto com a França, esse Brasil era quase imbatível, uma seleção completa assim como o verdadeiro Brasil campeão de 2002. Naquela época o realismo não tinha uma importância tão grande quanto hoje, que eu lembre somente Inglaterra e Japão tinham suas seleções totalmente reais com logotipo da confederação, nomes, faces bem-feitas e uniformes. Alguns só tinham os nomes reais e outros nem o nome tinham. Por exemplo: todos os jogadores da Holanda eram chamados de "OrangeXX" (com um número no lugar do "X")! E o mais engraçado é que o narrador falava esses "nomes" com a maior naturalidade, inclusive dando a escalação completa da Holanda dos "Oranges" no começo dos jogos. O jogo também contava com alguns pouquíssimos times de clubes e um modo Master League, que era extremamente limitado. No meio dos times de clubes era possível encontrar um time chamado "Mato Grosso" e outro de nome "Selvas", que correspondiam ao Palmeiras e Vasco da Gama, respectivamente.

A jogabilidade era simples e o conceito exatamente o mesmo que o dos PES da atualidade, a única diferença era o passe em profundidade que sempre saia errado, a ausência de diversas opções de dribles e, é óbvio, a falta de controle da direção do passe.
Mas o melhor ficava para a trilha sonora, que possuía duas músicas do Queen!! É isso mesmo que você leu, numa época em que os jogos de futebol só possuíam musiquinhas instrumentais sem graça, a Konami me aparece com uma "We Will Rock You" na intro e "We Are the Champions" que tocava na tela se você vencesse a Copa do Mundo!
Preparem-se para ver a melhor intro de jogo da história da humanidade:

Playstation 2 ♥